A C A D E M I A   C A R I O C A   D E   L E T R A S

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Patrono: Monsenhor Pizarro e Araújo

Ocupantes: Almáquio Diniz, Evaristo de Moraes, Leopoldo Braga, Carlos de Oliveira Ramos, Abeylard Pereira Gomes, F. Silva Nobre

 Acadêmico atual: Cláudio Aguiar

Nasceu em 1944 no sitio Buriti dos Carreiros, de propriedade de seu pai, situado no topo da Serra da Ibiapaba, cidade de Poranga, Ceará. Aos 10 anos de idade sua família transferiu-se para Fortaleza, onde ele passou a estudar no tradicional Liceu do Ceará.

Mais tarde, a partir de 1962, radicado na cidade do Recife, foi aluno do Ginásio Pernambucano e, em 1971, graduou-se pela Faculdade de Direito do Recife. Por essa época atuou com intensidade na imprensa recifense, principalmente como colaborador literário dos suplementos literários do Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco.

Foi bolsista pesquisador do Ministério de Assuntos Exteriores de Espanha (Madrid), estudando a obra de José Ortega y Gasset (Madrid, 1983) e, no mesmo ano, também foi admitido como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Perante a Universidade de Salamanca, em 1986, defendeu tese doutoral na área de Direito Internacional sobre o processo de imigração espanhola ao Brasil, sob o título: Organización Social y Jurídica de los Inmigrantes Españoles en Brasil, alcançando, então, o título de doutor pela mesma universidade.

Após aposentar-se de cargo público ocupado na Justiça do Trabalho da 6ª. Região, no Recife, exerceu a função de professor convidado da Universidade Federal Rural de Pernambuco, atuando na área de convênio firmado entre aquela instituição de ensino e a Universidade de Sherbrooke-Irecus – Canadá (1990-94).

Ao longo de sua carreira literária recebeu vários prêmios e distinções, merecendo destaque, em virtude do conjunto de sua obra, o prêmio-homenagem, de caráter internacional, de 1994, concedido pela prestigiosa Cátedra de Poética Fray Luís de León, da Universidade Pontifícia de Salamanca (Espanha), ocasião em que lhe foi outorgado também o título de honor pela mesma Universidade. Em 2009 recebeu o Prêmio Ibero-americano de Narrativa “Miguel de Unamuno” pelo livro El rey de los bandidos, publicado pela Editorial Verbum, de Madrid.

É membro de várias entidades culturais e literárias, entre as quais se destacam: Academia Pernambucana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e Associação de Estudos de Literaturas e Sociedades da América Latina (AELSAL), filiada à UNESCO, com sede em Neuchâtel, Suiça. Pertence também ao PEN Clube do Brasil e é o seu atual Presidente.

Tem livros traduzidos e publicados em espanhol, francês e russo. Contato: http://www.claudioaguiar.com e escritor@claudioaguiar.com  

 

PRINCIPAIS OBRAS PUBLICADAS NO BRASIL

Romances:

 

Caldeirão. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1ª. ed. 1982; Rio de Janeiro: Editora Caliban, 4ª. Ed. 2005. Prêmios: José Olympio de Romance de 1981 e Nacional de Literatura MEC-INL de 1982.

A volta de Emanuel. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1989. Fundarpe. Prêmio Osman Lins de Romance do Governo do Estado de Pernambuco, 1989.

A corte celestial. Recife: Fundação Cultural Cidade do Recife. Prêmio Lucilo Varejão de 1995. Prefeitura da Cidade do Recife, 1996;

Lampião e os meninos. Recife: Editora Universitária da UFPE, 3ª. ed., 1990;

Os anjos vingadores. Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro de 1981. Recife: Editora Bagaço, 1994.

 

Contos:

Exercício para o salto. Rio de Janeiro: Cátedra, 1972.

O comedor de sonhos (Narrativas). Rio de Janeiro: Editora Caliban, 2007.

Somba, o menino que não devia chorar. Rio de Janeiro: Caliban, 2002.

 

Teatro:

Flor destruída (Drama). São Paulo: Editora do Escritor e Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal do Recife, 1976.

Suplício de Frei Caneca (Oratório Dramático). Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2ª ed. 1981.

Antes que a guerra acabe (Drama). Recife: Edição do Governo do Estado de Pernambuco, 1985. Prêmio de Teatro Waldemar de Oliveira;

Brincantes do Belo Monte (Auto). Recife: Editora Universitária da UFPE, 1994.

Teatro de Franklin Távora. (Organizado por Cláudio Aguiar. Coleção Dramaturgos do Brasil). São Paulo: Editora Martins Fontes, 2004.

A emparedada (Tragédia). Rio de Janeiro: Editora Caliban, 2002;

 

Ensaios:

Os espanhóis no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Tempo Brasileiro, 1992.

Franklin Távora e o seu tempo (Biografia). Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras. Coleção Afrânio Peixoto, vol. 72, 2ª. edição, 2005.

Medidas & circunstâncias – Cervantes, Padre Vieira, Unamuno, Euclides e Outros. São Paulo: Ateliê Editorial, 2008.

O monóculo & o calidoscópio – Gilberto Freyre, escritor. Algumas influências. Recife: Massangana, 2010.

 

LIVROS PUBLICADOS NO EXTERIOR

 

Viento del Nordeste. Homenaje Internacional al Escritor Cláudio Aguiar. Salamanca: Cátedra de Poética Fray Luís de León. Universidade Pontifícia de Salamanca, Espanha, 1995;

Complainte nocturne. Paris: L´Harmattan, 2005. (Edição francesa do romance Caldeirão traduzido por Gaby Kirsch e introdução de Sylvie Debs);

A volta de Emanuel. Moscou: Editora Vagrius, 2006. (Edição russa do romance de igual título, traduzido por Natália Konstantinova e introdução de Alexei Grichin).

El rey de los bandidos. Madrid: Editorial Verbum, 2009.  

 

TRÊS POEMAS DE CLAUDIO AGUIAR 

 

     Tourada

                         

O que mais marca e fere na tourada

Não é a espada ductil e sinistra,

Mas a desalmada e fria mirada

Para o golpe mortal da mão em riste.

 

O olhar do homem/animal declara

Que seu gesto será sempre algo triste,

Qual negrume das altas madrugadas,

Avatar que no íntimo persiste.

 

Não sei dos dois quem morrerá primeiro:

Se o toureiro antes de matar a presa

Ou se o touro que muge na memória.

 

Como ocorre no impulso derradeiro,

Jamais a vida termina indefesa,

Vez que a morte não é o fim da história.  

     A cidade perdida

  

Triste voltar à cidade que amei

E constatar que a fonte sobrevive,

Mas já não é a mesma onde deixei

A sonhada esperança que vivi.

 

Entre as pedras roídas pelo vento,

Algumas já não têm a mesma forma

E suspeito que perderam a têmpora,

Embora fiquem sobre a terra soltas.

 

O sol, o vento e a chuva inda sibilam

E verberam seus aromas fixados

Na mãe terra que à noite engravida

Sob o fogo, a friagem e as águas.

 

Entre as árvores perambulam sombras

Indiferentes ao entardecer;

E de manhã, bem cedo, elas nos rondam

A gritar: “Por favor, venham nos ver”.

 

Adiante, na fechada floresta,

Não se ouve o crescer do vegetal

A viver seu silêncio no mistério:

Usina de verdor em seu final!

 

As aves que gorjeiam por ali,

Parecem nos dizer no fim do dia:

“Nunca mais cantaremos para ti,

Pois aqui terminou tua alegria”.

 

Triste voltar à cidade que amei,

E ver que quase tudo ali mudou;

Só não mudou o beijo que lá dei

Ao descobrir o meu primeiro amor.   

 

     Canção do eterno instante

 

Só sei buscar-te nessa força brava:

Abraço cálido, estremecido e lento;

Só sei buscar-te neste canto grave

Dizendo, vem, fagueira como o vento.

 

Aqui, refeita dos embates lassos,

Ouvir-me-ás cantar num movimento,

Que não é meu, mas do desejo grato,

Qual força saciada que nos vence.

 

E nessa luta de desejo armado,

Eu não reclamo da tristonha espera

Nem do fardo que me trará a sorte;

 

Porque na vida o sonho nunca acaba,

Mesmo se perto vem correndo a fera

Que nos devora anunciando a morte.   

   

      

 

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