A C A D E M I A   C A R I O C A   D E   L E T R A S

 HOME     |     HISTÓRIA     |     DIRETORIA     |     ACADÊMICOS     |     AGENDA     |     INFORMATIVO     |     REVISTA    |     CONTATO

Cadeira 7

Patrono: Visconde de Araguaia

Ocupantes: Ivan Lins, Paschoal Carlos Magno, Prado Kelly, J. M. Othon Sidou

 Acadêmico atual: Marcus Vinicius Quiroga

Contista, crítico, ensaísta e, principalmente, poeta. Pertence ao PEN Clube, à U.B.E.-RJ e S.E.E.R.J. Formado em Letras (UERJ), com Mestrado em Comunicação, Doutorado em Literatura Brasileira e Comunicação pela UFRJ. Colaborou com o Suplemento Literário Ideias do Jornal do Brasil, publicando ensaios e resenhas, bem como nos jornais RIOLETRAS, Poesia Viva, Panorama, revista da ABL, da UBE e da UAPê.

Publicou também poemas, contos e artigos em diversas revistas e antologias, como Poesia Sempre, Revista da A.B.L., Santa Poesia e Poesia Carioca. Tem militado nos eventos poéticos da cidade, como do Forum de Poesia da UFRJ e atualmente ministra cursos de poesia contemporânea e de oficina literária.

LIVROS PUBLICADOS

Poesia: Manual de instruções para cegos. Prêmio Cidade de Juiz de Fora, referência especial;

Modus vivendi. Prêmio Fábrica de Livros I;

Campo de trigo maduro. Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional;

O cinematógrafo. Prêmio U.B.E (SP). Scortecci;

Vida, a respeito de. Prêmio Livraria Asabeça-Scortecci;

Passaporte para o país das palavras. Prêmio Fábrica de Livros II e Afonso Félix da U.B.E.(RJ);

O xadrez e as palavras. Prêmio Jabuti da C.B.L. e Paulo Mendes Campos da U.B.E.(RJ);

A língua dos desertos. Prêmio cidade do Recife. Menção honrosa e Prêmio Paulo Mendes Campos U.B. E. (RJ);

Autoestrada para Tebas. Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional.

Composições em preto e branco. Menção honrosa do Prêmio Academia Mineira de Letras.

50 poemas escolhidas pelo autor. Editora Galo Branco;

Gullar Gullar. Prêmio Biblioteca Nacional, 2º lugar;

Máquinas na Pista. Prêmio Pizarro Drummond da U.B.E. (RJ);

Poemas não usam soco inglês. Prêmio Cidade de Juiz de Fora. Menção honrosa.

TRÊS POEMAS DE MARCUS VINICIUS QUIROGA

Teoria


Não é a palavra que escrevo

                         é a escolha da palavra

A teoria me olha

                   Mas não cedo

Os versos não seguem cegos

                                   pela estrada

O bastão na mão e o arrependimento


Poema não aceita o destino


O poema se assina:

Só existe a história

O grafite e a folha

Não sou escravo da palavra

escrevo a escolha

 

Estudo para Aleijadinho

a lepra de Aleijadinho

esculpe na pedra

como se outra pele

o drama imóvel

 

com cinzéis tortos

dá forma a profetas

com discursos outros

e uma outra lepra

 

se as mãos se crispam

fechando o mundo,

resgatam feições de cristos

com rugas de perguntas

 

dentro de um século

lento, elabora não-horas

na pedra de supostas

permanências

 

se a arte também aleija

e se afasta de medidas

faz-se ladeira, rua estreita,

faz-se beco sem saída

 

irregular se ergue,

como quem se movimenta

em calçamento de pedra

pelo país, em noite deserta

 

arte de dedos disformes,

por onde escorrem certezas,

contraria regras e normas

se quer grotesca, feia

 

com sua baixa estatura

e corpo mal conformado

propunha-se na arte da fuga

a fazer de pedra voo alto

 

enquanto lá fora a peste

apodrece corpos e a morte

se espalha pela arte

em movimento inerte

 

aqui a lepra por ironia

iria se fazer estética

e se marcaria como letra

ou melhor, cicatriz, sequela

 

na via-crúcis, os passos

tornam-se tontos, tortos

como se fôssemos todos aleijados

num mundo em desordem

 

e o mestre e artesão,

ofertou seu corpo em partes

e foi se retorcendo para ser

ele a própria arte

 

Arquitetura e asas

Quem planeja, desenha limiares,

não superfícies fechadas, paredes,

não toldos, telhas, tetos, mas áreas

que se soltam das linhas das maquetes

No ofício de ver o ainda invisível,

argamassa desejos com pó de asa,

porque dentro de toda pedra vive

o avesso da pedra, de nome audácia

 

Quem habita, joga no espaço uma âncora,

sente o peso do porão e fantasmas,

entra em contato com o que havia antes,

que o tempo é também uma espécie de casca

Logo quem habita uma casa, habita

os dias que se abrem em quartos, salas

com janelas de fundos, cuja vista

é paisagem interna, temporária

 

Quem planeja, desenha perspectivas,

não supõe o inesperado despejo,

interdito de muros, cerca viva,

separação sem recurso ou apelo,

traça no papel a vida viável,

o chão que nasce através dos passos,

com arquitetura que se sabe ave

e não se prende às regras da sintaxe

 

Quem habita, habita limiares

como se para além da régua e compasso

houvesse a morada solta nos ares

dentro de insuspeitos tempos e espaços

Quem do concreto um dia se desgarra

faz casas só de sonhos e presságios

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

HOME     |     HISTÓRIA     |     DIRETORIA     |     ACADÊMICOS     |     AGENDA     |     INFORMATIVO     |     REVISTA    |     CONTATO


 Academia Carioca de Letras - Rua Teixeira de Freitas, 5 - Sala 306 - 3º Andar - Rio de Janeiro/RJ  -  CEP-20021-350
Tel. (21) 2224-3139 - academia@academiacariocadeletras.org.br
© 2012 Web Site - Equipe Academia Carioca de Letras - Direitos Reservados